domingo, 30 de setembro de 2007


La Forza Della Vita - (P. Vallesi / Datti)
Anche quando ci buttiamo via/ per rabbia o per vigliaccheria/ per un amore inconsolabile/ anche quando in casa è il posto più invivibile/e piangi e non lo sai che cosa vuoi/ credi c'è una forza in noi amore mio/ più forte dello scintillio/ di questo mondo pazzo e inutile/ è più forte di una morte incomprensibilie/ e di questa nostalgia che non ci lascia mai./ Quando toccherai il fondo con le dita/ a un tratto sentirai la forza della vita/ che ti trascinerà con se/ amore non lo sai/ vedrai una via d'uscita c'è./ Anche quando mangi per dolore/ e nel silenzio senti il cuore/ come un rumore insopportabile/ e non vuoi più alzarti/ e il mondo è irraggiungibile/ e anche quando la speranza/ oramai non ti basterà./ C'è una volontà che questa morre sfida/ è la nostra dignità la forza della vita/ che non si chiede mai cos'è l'eternità/ anche se c'è chi la offende/ o chi la vende l'aldilà./ quando sentirai che afferra le tue dita/ la riconoscerai la forza della vita/ che ti trascinerà con se/ non lasciarti andare mai/ non lasciarmi senza te./ Anche dentro alle prigioni/ della nostra ipocrisia/ anche in fondo agli ospedali/ nella nuova malattia/ c'è una forza che ti guarda/ e che roconoscerai/ è la forza più testarda che c'è in noi/ che sogna e non si arrende mai/ È la volontà/ più fragile e infinita/ la nostra dignità/ la forza della vita./ Amore mio è la forza della vita/ che non si chiede mai/ cos'è l'eternità/ ma che lotta tutti i giorni insieme a noi/ finchè non finirà/ Quando sentirai/ che afferra le tue ditta/ la riconoscerai/ la forza della vita/ La forza è dentro noi/ amore mio prima o poi la sentirai/ la forza della vita/ che ti trascinerà con se/ che sussurra intenerita:/ "guarda ancora quanta vita c'è!"
Parte da Tradução: ...tem uma força que te cuida / e que reconhecerás é a força mais teimosa que temos em nós / que sonha e não se rende nunca / É a vontade / mais frágil e infinita / a nossa dignidade / a força da vida ...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Katherine Mansfield nasceu em 14 de outubro de 1888, em Wellington, Nova Zelândia. Filha de pais ingleses, de 1903 a 1906 estudou na Inglaterra. Voltou a Wellington, onde exerceu atividade literária principiante. Convenceu seu pai a continuar seus estudos na Inglaterra, para lá retornando em 1908. Faz e desfaz no mesmo dia um casamento, em março de 1909, em Londres. Katherine Mansfield casa-se mais uma vez, sofreu com a perda de um bebê (o que lhe impossibilitou de engravidar novamente). Em meio a uma conturbada vida afetiva, sexual e social, vê seu irmão morrer, em 1915, durante a guerra. Surgem os primeiros acessos de tuberculose. Viveu nas extremidades da felicidade ("É de manhã. As árvores, além das colinas verdes. Dia tranqüilo e calmo. Meu Deus, como sou feliz!) e do sofrimento ("Quanto mais sofro, mais sinto-me com uma energia feroz para suportar").
Era vivaz e audaciosa, até a morte prematura, aos 34 anos, provocada pela tuberculose. Seu diário, em que expõe-se ao sol e à tempestade e luta corajosamente contra o fim anunciado, é um dos mais belos do gênero. E grande parte de sua correspondência revela igualmente uma escrita forte e sensível.
Sua consagração ocorreu após a morte. Teve mais de dez títulos póstumos, entre relatos curtos, cartas e diários. Hoje é considerada um dos maiores nomes da literatura inglesa. Dela disse Virginia Woolf, que a considerava o maior nome de contista na língua inglesa: "eu tinha ciúme do que ela escrevia".

"Bliss" é uma palavra inglesa sem tradução exata em outras línguas. Assim como a nossa “saudade”
Algumas traduções possíveis são: Felicidade plena, euforia, êxtase, entusiasmo...
Essa palavra é o Título de um conto de Katherine Mansfield. O conto pode até não marcar algumas pessoas ( apesar de ser a escritora uma das mais brilhantes no gênero, considera por muitos).
Porém, existem trechos que gostaria muito de transcrever:
"Embora Bertha Young já tivesse trinta anos, ainda havia momentos como aquele em que ela queria correr, ao invés de caminhar, executar passos de dança subindo e descendo da calçada, rolar um aro, atirar alguma coisa para cima e apanhá-la novamente, ou ficar quieta e rir de nada: rir, simplesmente.
O que pode alguém fazer quando tem trinta anos e, virando a esquina de repente, é tomado por um sentimento de absoluta felicidade — felicidade absoluta! — como se tivesse engolido um brilhante pedaço daquele sol da tardinha e ele estivesse queimando o peito, irradiando um pequeno chuveiro de chispas para dentro de cada partícula do corpo, para cada ponta de dedo?
Não há meio de expressar isso sem parecer "bêbado e desvairado?" Ah! como a civilização é idiota! Para que termos um corpo, se somos obrigados a mantê-lo encerrado em uma caixa, como se fosse um violino raro, muito raro?
[...] Dentro do peito, no entanto; havia ainda aquele ponto brilhante, incandescente, de onde saía uma chuva de pequenas fagulhas. Era quase insuportável. Ela mal tinha coragem de respirar,
[...] contudo, respirava fundo... fundo.
Quase não tinha coragem de olhar-se no espelho frio; mas olhou, e ele mostrou-lhe uma mulher radiante, com lábios trêmulos, sorridentes, grandes olhos escuros e um ar de quem está à espera de que alguma coisa... divina aconteça. Ela sabia que iria acontecer infalivelmente."
[...] Pela primeira vez na vida Bertha Young desejou seu marido.
Ah! Ela o amava! Ela o amara sempre, é claro, mas com outras formas de amor, não com o que sentia agora. E também, é claro, ela havia compreendido que ele era diferente. Haviam discutido isto inúmeras vezes. Ela havia se afligido horrivelmente, a princípio, ao descobrir sua própria frigidez, mas, com o passar do tempo, isso deixara de incomodá-la. Havia tanta franqueza entre os dois, eles eram tão bons companheiros! Nisso estava a grande vantagem de serem modernos.
Mas agora — era com tesão! Com tesão! A palavra doía em seu corpo em brasa. Era a isto que o seu sentimento de felicidade tinha levado? Mas então, então...
Para ler o conto inteiro, acesse:http://www.releituras.com/kmansfield_bliss.asp

"O Canário"
Katherine Mansfield


... Eu o amava. Como eu o amava! Talvez não importe muito que coisa amamos neste mundo. Mas devemos amar alguma coisa. É claro, eu tinha minha casinha e o jardim, mas, por algumas razões, não era o bastante. Flores são maravilhosas, mas não sabem demonstrar simpatia. Naquela ocasião eu amava a Estrela Dalva. Isto lhe parece uma tolice? Eu tinha o costume de ir para o jardim, depois do pôr-do-sol, e esperá-la até que brilhasse por cima do eucalipto escuro. Eu costumava murmurar: "Aí está você, minha querida." E exatamente nesse instante ela parecia brilhar só para mim. Ela parecia compreender isso... alguma coisa que é como um anseio, mas não é um anseio. Ou lamento — sim, é mais parecido com lamento. E, no entanto, lamento por quê? Eu tenho tantos motivos para ser grata!

... Contudo, sem ser mórbida e mexendo nas lembranças, devo confessar que vejo nisto alguma coisa de triste na vida. Não me refiro à tristeza que todos nós conhecemos, como a doença, a pobreza e a morte. Não, é algo diferente. É lá no fundo, bem no fundo, faz parte da gente, como a respiração. Por mais que trabalhe, por mais que me canse, basta parar para sentir que essa coisa está lá, esperando. Muitas vezes eu me pergunto se todo mundo sente do mesmo jeito. Nunca se pode saber. Mas não é extraordinário que dentro de seu canto alegre, doce, tudo o que eu ouvia era: tristeza? ah, o que é isto?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Momento Clarice Lispector

Alguns Fragmentos de Clarice Lispector que compartilho, alguns descrevem fragmentos também meus.
(todos nós somos fragmentos, partilhas de emoções e experiências, dispersas em um contexto maior)

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.”

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada”.

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas, tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.

“Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós”.

“Sou um coração batendo no mundo”.

"Inútil querer me classificar, eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais".

“Porque há direito ao grito. Então eu grito”.

“E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar".

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"

"Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma".

"Chegando em casa não comecei a ler.Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter.Não era mais uma menina com um livro:era uma mulher com seu amante."

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida”.

"Sou uma filha da natureza:quero pegar, sentir, tocar, ser.E tudo isso já faz parte de um todo,de um mistério.Sou uma só... Sou um ser.E deixo que você seja. Isso lhe assusta?Creio que sim. Mas vale a pena.Mesmo que doa. Dói só no começo."

" Não sei separar os fatos de mim,e daí a dificuldade de qualquer precisão, quando penso no passado."

" Mas nem sempre é necessário tornar-se forte.Temos que respeitar nossas fraquezas. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito.Elas correm devagar e quando passam peloslábios sente-se aquele gosto pouco salgado,produto de nossa DOR mais profunda”.

"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte,tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos"

"Os espertos ganham dos outros, em compensação os bobos ganham a vida. "

" Escuta: eu te deixo ser. Deixa-me ser,então."

"Sou como vc me vê

Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como vc me vê passar”

“Gosto dos venenos mais lentos!

Das bebidas mais fortes!
Das drogas mais poderosas!
Dos cafés mais amargos!
Tenho um apetite voraz.
E os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí?
Eu adoro voar!”

“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim"

domingo, 9 de setembro de 2007

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894Matosinhos, 8 de dezembro de 1930), batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa.
Mesmo antes de seu nascimento, a vida de
Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não podia dar-lhe filhos, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antônia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antônia, chamado Apeles. Tempos depois, Antônia abandona João Maria, e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia do seu aniversário de 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
Concluiu um curso de Letras em
1917, inscrevendo-se a seguir para cursar Direito, sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa.
Sofreu um aborto involuntário em
1919, ano em que publicaria o Livro de Mágoas. É nessa época que Florbela começa a apresentar sintomas mais sérios de desequilíbrio. Em 1921 separou-se de Alberto Moutinho, passando a encarar o preconceito social decorrente disso. No ano seguinte casou-se pela segunda vez, com António Guimarães.
O
Livro de Soror Saudade é publicado em 1923. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio. Em 1925 casou-se pela terceira vez, com Mário Lage. A morte do irmão, Apeles (num acidente de avião), abala-a gravemente e inspira-a para a escrita de As Máscaras do Destino.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa.
O pai só reconheceria a paternidade muitos anos após a morte de Florbela.


Florbela Espanca por outros poetas
Florbela Espanca causou grande impressão entre seus pares e entre literatos e público de seu tempo e de tempos posteriores. Além da influência que seus versos tiveram nos versos de tantos outros poetas, são aferidas também algumas homenagens prestadas por outros eminentes poetas à pessoa humana e lírica da poetisa. Manuel Dias da Fonseca,
em seu "Para um poema a Florbela" de
1941, cantava "(...)E Florbela, de negro,/ esguia como quem era,/ seus longos braços abria/ esbanjando braçados cheios/ da grande vida que tinha!". Também Fernando Pessoa, em um poema datilografado e não datado de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como "alma sonhadora/ Irmã gêmea da minha!".