- Ando sem rumo,
Sigo por frinchas,
Posso ir reto e encontrar alento.
Sou andarilha,
Me acompanho no vento.
Posso retornar,
Virar à esquerda,
Sem nenhum tormento.
Quem me conhece sabe...
Gosto de cores.
Porém, posso ser discreta.
Ora vou de vermelho, na cor do sangue da vida.
Ora de Amarelo, no brilho do ouro.
O azul, o verde, também não dispenso.
Quero apenas seguir.
Mas cuidado ao cruzar meu caminho.
Se preferir mantenha distância, ou
Se aproxime devagarzinho.
Meu caminho é longo,
A estrada já percorrida,
Minha alma cigana precisa mais que um pouso.
Vou dançando,
Vou cantando.
Caminho sem pressa,
Já que a geografia pode ser um mero conceito.
Sigo assim,
Perambulando em desatinos.
A minha pátria é mais que uma morada.
É filosofia de vida.
É comprometimento com quem escolho.
Pois alma cigana de verdade!
Não se prende nesse mundo,
Vai além,
Ama além,
Segue.
Deisiane Reis
AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui…além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente….
Amar!Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender?
É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…
Florbela Espanca
- Não agüento mais essa dor,
Que dilacera todo o meu ser,
E me joga no chão a ponto de explodir de pranto e compaixão.
É insuportável as lembranças de tempos findos.
É inesgotável os questionamentos.
Atraco-me com minha auto-estima
Espero ela chegar, para me acalmar,
Mas nada...
O tempo passa...
E a dor encontra-se paralisada em seu pedestal,
Majestosa! Sem ser bela.
Impetuosa, Poderosa!
E me entrego a ela.
Que no seu doar a mim,
Vem...
E eu sou apenas a sua refém,
sinto-me assim...
A própria Síndrome de Estocolmo.
E sem ter como fugir, fico aqui.
Calada, quieta!
Na esperança de ser resgatada... mas sei que não vou.
Essa dor achou morada, é alimentada e vive sem ser convidada.
Deisiane Reis (setembro/2005)
- Descobri que dentro do meu caos,
Ainda existem sentimentos que me impulsionam para o âmago da questão.
Essa minha desordem, nada mais significa, do que a luta por respostas.
Algumas com fundamento e outras desprovidas de perguntas...chega a ser cômico essa histeria interna.
Existência banal de problemas extra-banais.
Tão simples de descrever e tão complicado de vivenciar.
Afinal, me dou o direito de não ser, tão forte e poderosa todos os dias.
E ser for preciso chorar, não temerei essa necessidade de manter minha alma hidratada.
Deisiane Reis
- Posso ser completa a ponto de transbordar.
Vivo da forma que me atrai.
Tenho Coragem, pulo alto, sonho no bem, tenho sede...
Não escondo os defeitos. Faço pose, tiro o salto, solto os cabelos, monstro minhas garras...Neste momento não oculto só revelo.
Deisiane Reis
- Estou entregue a minha própria condição,
Não luto contra o vendaval ou a calmaria da brisa.
Se for para gritar, eu GRITO!
Se for para correr, eu CORRO!
Se for para encolher, eu MURCHO!
Se for para encarar a solidão, tô aí...comigo!
Posso fazer parte do CÉU e do INFERNO,
posso ir até mais fundo...
Estou a fim de respeitar!
Estou dando condição a minha natureza cíclica, composta apenas de VERDADE e LEALDADE, ainda que sejam apenas por breves instantes. Como disse: Só to a fim de respeitar! E no momento não me importo se vou agradar!
Deisiane Reis